Falar do Corinthians e do que é ser Corinthiano é deixar que o coração fale.

Não escolhi ser corinthiano. Eu nasci corinthiano. Como é bom ter esse privilégio.

No dia 08/03/1981, por volta das 22:30 na cidade de Jundiaí meu pai recebeu a notícia do médico. É um menino. No outro dia,  no bercinho eu já vestia a minha primeira roupinha. Uma camisa do Corinthians.

Acompanhei meu time e o amor que veio desde o nascimento sempre foi crescendo. Não importava o que diziam meus amiguinhos torcedores de outros times. “O Corinthians é time de favelado. Corinthiano é tudo bandido. Corinthians é a ralé do futebol.”

Meu amor só crescia.

Vibrei com os gols do Neto em 90 que trouxe nosso primeiro título brasileiro. Chorei com as derrotas para o Palmeiras (nosso verdadeiro e único rival). Voltei a comemorar os títulos de 98 e 99. Em 2000 veio o nosso Mundial. Vivi em 2002 um dos melhores anos do Corinthians ao ver o time ser campeão do Rio/São Paulo, Copa do Brasil e ser vice campeão do Brasileirão.

Em 2005 vi o Corinthians vencer seu quarto título brasileiro. E depois cair. Cair gradativamente. Em 2007 vivemos a pior crise vivida em nossos quase 100 anos de história. Fiquei triste é claro. Mas na segunda feira, ao ir trabalhar não consegui deixar de mostrar o meu amor ao Corinthians. Constantemente eu cantava CORINTHIANS MINHA VIDA, CORINTHIANS MINHA HISTÓRIA, CORINTHIANS MEU AMOR. Ou o já tradicional AQUI TEM UM BANDO DE LOUCO.

Meus amigos, torcedores de outros clubes, não deixavam a oportunidade passar e tiravam sarro. Uma grande amiga minha a Ana Paula (palmeirense) ria e dizia: “Nossa, mas nem com o Corinthians caindo…”. Nunca me envergonhei de ser corinthiano. Não estava nem aí com os sorrisos maliciosos de prazer ao ver a nossa queda. O Corinthians tinha caído mas o corinthianismo estava crescendo. Como sempre cresceu.

Enfrentamos a série B com a cabeça erguida.  Na primeira rodada dividíamos a liderança. Na segunda rodada já éramos líderes isolados. E assim foi até o fim do ano. Oficializamos nossa volta com seis rodadas de antecedência e passamos pela série B como um verdadeiro time grande. Não dando a menor chance para equívocos.

Na volta à elite em 2009, o Corinthians trouxe um dos maiores camisas nove de todos os tempos. Ronaldo Fenômeno. E com ele veio o titulo invícto do Paulistão 2009 e o terceiro título da Copa do Brasil.

Comemoramos hoje o nosso centenário. O centenário de uma história rica em amor e glórias.

Comemoramos o aniversário de um time que nasceu do amor pelo futebol de trabalhadores humildes no tradicional bairro do Bom Retiro e cresceu sob os olhares preconceituosos dos grandes e ricaços.

Qual time pode ficar 23 anos sem títulos e ainda sim continuar a ver sua torcida crescer?

Qual time consegue negociar o maior patrocínio do Brasil mesmo estando na série B?

Qual time consegue unir torcedores rivais na torcida pela queda de um gigante?

Qual time consegue negociar patrocínios equivalentes aos maiores Europeus?

Qual time consegue influenciar até na política com a chamada “Democracia Corinthiana”?

Qual time consegue levar 70 mil pessoas ao Maracanã em uma semifinal?

Qual time consegue reunir 120 mil pessoas no Anhagabaú para comemorar um Reveillon em setembro?

Qual time consegue o status de República Popular?

Novamente, parabéns Corinthians. Pelos 100 anos de história.

Nação. Conte sua história. Faça sua homenagem. Hoje é nosso dia.

Este slideshow necessita de JavaScript.