Hoje é um dia que decididamente preciso dormir.. e voltando a ativa no blog, nada como um texto sobre a importância do sono:

EnergyPods garantem o cochilo dos funcionários

Leslie Berlin

Maquina

EnergyPods - O Sono recompensador

“Não desperdice a vida”, escreveu Benjamin Franklin, santo patrono dos empreendedores americanos. “Na cova você poderá dormir o suficiente.”

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Séculos depois, a forma como os americanos encaram o sono – em particular as empresas – quase não mudou. A cultura corporativa reverencia e-mails enviados às 3 horas da manhã e executivos que emendam uma reunião após um vôo noturno. Adesivos atualizam o ditado de Franklin: “Durmo quando estiver morto”.

“Existe um viés cultural contra o sono, que o relaciona ao desligamento, ou mesmo à morte”, explica o doutor Jeffrey Ellenbogen, neurologista da Harvard Medical School e diretor do Laboratório do Sono do General Hospital de Massachusetts.

Segundo Ellenbogen, a maioria das pessoas associa um cérebro dormindo a um computador em “modo de espera” – que não faz nada de produtivo. Errado. Dormir aprimora o desempenho, o aprendizado e a memória. Muito desvalorizado, o sono também melhora a habilidade criativa que gera aqueles momentos “aha!” e revela novas conexões entre idéias aparentemente sem relação.

Steve Jobs, chefe-executivo da Apple, uma vez definiu a criatividade como “a simples conexão das coisas.” Dormir ajuda o cérebro a assinalar idéias e memórias soltas, realizando conexões entre elas, aumentando as chances do surgimento de uma idéia criativa ou um insight.

Enquanto os contos sobre sono e criatividade valorizam a transcrição afobada logo após sonhos enérgicos, a pesquisa recente enfatiza a importância de deixar as idéias marinarem e se infiltrarem.

“Dormir traz uma contribuição única,” explica Mark Jung-Beeman, psicólogo da Northwestern University que estuda as bases neurais da cognição criativa e do insight.

Algo como um período de incubação, em que a pessoa esquece a idéia por um tempo, é crucial para a criatividade. Durante o período de incubação, dormir pode ajudar o cérebro a processar o problema.

“Quando você acha que não está pensando, você provavelmente está”, afirma Jung-Beeman, que tem doutorado em psicologia experimental.

Outra teoria é que as abordagens mais óbvias para a solução de um problema podem desaparecer ou se enfraquecer durante o sono, permitindo que o cérebro se reoriente a alternativas inovadoras. Um caso clássico de reorientação, contado em A Popular History of American Invention (“Uma História Popular de Invenção Americana”), de 1924, envolve a máquina de costura automática, uma invenção de Elias Howe: após muitas frustrações com seu modelo original, que usava uma agulha com um olho no centro, Howe sonhou que estava sendo atacado por guerreiros pintados brandindo lanças com buracos na ponta afiada. Ele patenteou um novo modelo, baseado no sonho das lanças; quando a patente expirou em 1867, ele havia ganhado mais de US$ 2 milhões em royalties.

Selvagens empunhando lanças criam contos cativantes, mas insights criativos induzidos diretamente por sonhos são raros. Geralmente, as pessoas não se dão conta dos efeitos do sono em sua ocorrência.

A pesquisa de Ellenbogen em Harvard indica que, se um período de incubação inclui dormir, as pessoas têm 33% a mais de chance de estabelecer conexões entre idéias remotamente relacionadas, e, ainda assim, essas melhoras de desempenho existem “completamente alheias ao nosso radar.”

Em outras palavras, as pessoas são mais criativas após o sono, mas elas não sabem disso.

Essa falta de consciência dificulta a identificação de insights que decorrem do sono.

“O sono permite uma mudança de abordagem,” explica Mark Holmes, diretor de arte da Pixar Animation Studios que trabalhou no filme Wall-E. “Você pode ficar com a perspectiva limitada enquanto martela um problema. Continua seguindo o mesmo caminho, repetidas vezes, só ajustando, fazendo mudanças incrementais no máximo.” Holmes continua: “O sono apaga isso. E reinicia tudo. Você acorda e percebe – espere um minuto! – há outra forma de resolver isso.”

As atitudes do mundo dos negócios em relação ao sono podem estar começando a mudar. Claire Stapleton, porta-voz do Google, afirma que interesses “fundamentais” sobre o sono levaram a empresa a organizar uma palestra interna de Sara C. Mednick, especialista em cochilos. O Google também instalou EnergyPods, poltronas de couro reclinantes e com proteções que bloqueiam som e luz, para os funcionários cochilarem no trabalho.

Outras companhias que instalaram as EnergyPods incluem a Cisco Systems e Procter & Gamble.

Vinayak Sudame, engenheiro do campus Research Triangle Park, da Cisco, afirma que utiliza as poltronas para “fechar os olhos e me desligar por uns 10 ou 15 minutos” quando está trabalhando num problema ou precisa de um tempo em silêncio. Mais do que uma caminhada ou um cafezinho, esse tipo de “descanso mental total” o ajuda a voltar para o trabalho com o que ele chama de perspectiva “reorganizada”.

A consultoria do sono Alertness Solutions, de Cupertino, Califórnia, prestou serviços a diversas equipes olímpicas americanas antes dos jogos de Pequim e também trabalha com clientes corporativos. Bob Agostino, vice-presidente de operações da L.J. Aviation, em Latrobe, Pensilvânia, trabalhou com a Alertness Solutions em uma empresa anterior e afirma que os funcionários aprenderam estratégias especiais para melhorar seu desempenho. Elas incluem quando e quanto tempo cochilar, como determinar a quantidade de sono necessária e como reconhecer sinais de fadiga e sintomas de desordens do sono.

Exercer a função com esse conhecimento, diz Agostino, “faz a diferença”.

Em geral, as companhias da costa oeste dos EUA se preocupam mais com questões do sono que as da costa leste, afirma Arshad Chowdhury, co-fundador e chefe-executivo da MetroNaps, que desenvolveu as EnergyPods.

“Particularmente em Nova York, onde os serviços financeiros desempenham papel importante, as pessoas estão sempre com o sono atrasado e em constante negação”, disse.

Chowdhury – que afirma que a idéia dos EnergyPods veio após um cochilo – relembra um seminário em que uma banqueira respondeu a uma pesquisa com uma nota dizendo que sabia que não tinha problemas de fadiga no trabalho porque só caía no sono quando se sentava. Chowdhury ri um pouco melancólico: “Talvez pudéssemos ter evitado a crise em que estamos se essas pessoas apenas tivessem um sono decente.”

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