O ano de 2007 já começou agitado no quesito fiasco, com a modelo Daniela Cicarelli tirando o YouTube do ar no Brasil.

A lista se avolumou, com executivos de TI brasileiros indo parar atrás das grades, um projeto de lei sobre cibercrime que não vingou e o festejado mundo virtual que não passou de burburinho.

Confira quais foram os maiores micos no mercado de tecnologia em 2007:

10. Disputa ente Blu-ray e HD DVD não empolga consumidor
A guerra dos formatos de alta definição cotados para substituir o DVD – Blu-ray e HD DVD – prometia esquentar em 2007, com um provável favorito despontando no mercado.

Mas em vez de definições, o ano foi palco de uma disputa declaratória entre os apoiadores dos dois padrões, cada um conclamando sua própria vitória. Alheio às rusgas e picuinhas, o consumidor seguiu feliz com seu bom e velho DVD.

9. Windows Vista enfrenta fantasma do XP e Leopard
Lançado com alarde pela companhia após seguidos atrasos, o Windows Vista consumiu cerca de cinco anos de trabalho e prometia trazer alterações que melhorariam sua segurança, tão criticada em versões anteriores do Windows, melhor suporte a aplicações multimídia e sofisticações visuais, como janelas translúcidas e efeitos de transição.

Um ano após o lançamento, porém, o sistema enfrenta uma leva de usuários domésticos e corporativos interessados em fazer o downgrade – ou seja, voltar a usar o Windows XP, seu antecessor – e comparações que o colocam aquém do recém-lançado Leopard, a mais recente atualização do Mac OS X da Apple.

8. Projeto de cibercrime fica na geladeira
O polêmico projeto substitutivo do senador Eduardo Azeredo, que condensava outras propostas legislativas e propunha a tipificação e as penas para os crimes digitais não saiu do papel.

Azeredo ficou no fogo cruzado: de um lado, provedores criticaram o projeto pela imposição do cadastro de usuários e pelas exigências de manutenção de registros; de outro, internautas acusaram o senador de querer burocratizar a internet e ferir a privacidade.

Depois de sofrer diversas alterações e sair e entrar da pauta sem ser votado, o projeto encerrou o ano na geladeira, sem previsões de ir à plenário.

7. Negócios da AMD “fracassam” em 2007
O diagnóstico é do próprio CEO da AMD, Hector Ruiz: “Nós estragamos tudo, mas estamos felizes com o que aprendemos com isto. Não repetiremos.”

Em um ano marcado por queda na participação de mercado conquistada a duras penas, lançamentos frustrados – como o chip quad-core Barcelona – e prejuízo atrás de prejuízo, restou à AMD virar a página e receber 2008 de braços abertos.

6. Playstation 3 na lanterna dos consoles
No final de 2006, quando a guerra dos consoles de nova geração começou para valer – com PlayStation 3, Wii e Xbox 360 nas pratelerias, não estava claro quem levaria a melhor.

Mas ao longo do ano, mesmo com reduções de preços e o lançamento de uma versão mais light do videogame, o PlayStation 3 amargou mês após mês a lanterna entre os consoles.

5. Second Life ainda não embala no Brasil
Depois de todo o burburinho em torno da estréia da versão brasileira do Second Life, com direito a uma avalanche de empresas anunciando avatares e sedes virtuais e previsões nada conservadoras sobre a potencial explosão de usuários brasileiros, o mundo virtual encerrou o ano com menos usuários do que tinha na estréia.

Com uma exigência de configuração que está longe das características do PC médio do brasileiro, dificuldades no processo de cadastro, lentidão dos servidores, o mundo virtual ainda não decolou por aqui.

4. Google Brasil cede e passa a responder pelo Orkut
Em ano de visita do “mister Orkut” em pessoa ao Brasil, a subsidiaria brasileira do Google voltou atrás e decidiu assumir o papel de interface com a Justiça brasileira, depois de passar dois anos se negando a receber os pedidos de quebra de sigilo de perfis de usuários e comunidades criminosas na rede social

Ao explicar porque cederam, dispensando os procuradores da matriz no País, representantes do Google afirmaram que “a abertura do departamento jurídico é um reflexo do crescimento da empresa”.

A declaração contrasta com o parecer diretor do Google Brasil, Alexandre Hohagen, logo no início do caso, em 2006. “O Google Brasil não tem nada a ver com o Orkut, que é um serviço hospedado nos Estados Unidos”, disse Hohagen em entrevista ao IDG Now! na época. “Estamos aqui para fazer negócios e não controlar tecnologias ou serviços”.

3. Hélio Costa e o conversor de 200 reais
O ministro Hélio Costa prometeu, reiterou, ameaçou, mas na hora da estréia da TV digital o conversor de menos de 200 reais que ele tanto alardeou não apareceu no mercado.

Contrariando as previsões de toda a indústria, Costa insistiu que seria possível ter um “conversor popular” até o final do ano, mas o set-top box mais barato do mercado ainda custa 500 reais.

2. Cisco e Mude são acusadas de esquema de fraude em importações
A subsidiária brasileira da maior fornecedora de equipamentos de rede do mundo, a Cisco, e sua distribuidora Mude foram acusadas de participar de um esquema de fraudes na importação de equipamentos que teria causado um prejuízo de 1,5 bilhão de reais ao governo.
 
Executivos de ambas as empresas foram presos para investigações e o ex-vice-presidente da Cisco para América Latina, Carlos Carnevali, acusado de ser sócio oculto da distribuidora Mude, foi demitido, além de ter passado 53 dias na prisão.

1. Cicarelli tira YouTube do ar
Ela reclamou, processou e tanto que fez que conseguiu tirar o YouTube do ar no Brasil. A modelo e apresentadora Daniela Ciracelli provocou a fúria dos internautas ao bloquear o acesso dos brasileiros à ferramenta de vídeos mais popular da web.

Tudo por um descuido da celebridade, que foi filmada em uma praia na Espanha protagonizando cenas de amor “picantes” com o namorado Renato Malzoni. No final das contas, a apresentadora ainda quis tirar o corpo fora: “Não tenho nada a ver nem com esse pedido nem com essa decisão”, ela alegou ao Jornal da Globo.

Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
Publicada em 21 de dezembro de 2007 às 07h00
Anúncios