Epílogo

 

O único som que se ouvia, no silêncio abrasador desta madrugada, era o ruído dos carros velozes, que passavam deixando para trás uma nuvem de esquecimento.

O último cigarro sendo absorvido lentamente, os olhos fixos ao televisor mudo, as notícias que passavam velozes, deixando para trás os sentimentos que um dia ousou sentir…

 

Capitulo I

 

“Na mais profunda escuridão, nos vales submersos do medo, eu estarei a sua espera, para que aceite seu glorioso fim…”.

O despertador tocava irritando o começo do dia de Rick. Ele mal conseguia abrir seus olhos. Esta noite, com os seus pesadelos não o deixaram dormir, sempre os mesmos sonhos, sempre as mesmas imagens e nada fazia sentido, nada tinha um significado real.

Lembrou-se dos compromissos e que não podia se atrasar. Ele se pôs de pé, indo se lavar para espantar as sombras do sono que ainda o perturbava. Lembrou-se do almoço que teria com Jéssica e da consulta que teria com um psicanalista, especialista em sonhos. Queria entender cada detalhe, cada imagem que o perseguia durante as seguidas noites nestas ultimas semanas.

Olhando-se no espelho, viu apenas a face de um homem. Barba ainda por fazer, olheiras profundas e um imenso vazio. Não se deixou perder nos pensamentos, lavando-se e se vestindo. Rick se preparava para mais um longo dia em sua rotina.

Serviu-se de um pedaço de pão esquecido na noite anterior sobre a mesa, enquanto a cafeteira anunciava sua criação, que Rick sorveu em um único gole, se dirigindo para seu carro.

O rádio indicava as altas da bolsa, enquanto Rick acendia seu primeiro cigarro, numa respiração profunda. Sim, havia acordado, e ele estava indo para o escritório, para as reuniões já agendadas, entrevistas com os novos consultores e todo um círculo de trabalho com o qual já havia se habituado. Concentrou-se no trânsito que já estava intransitável naquele horário, dividindo o espaço com dezenas de outros motoristas, com suas vidas e com seus problemas diários, sem muito tempo a perder, sem nenhum contato além das buzinas e do barulho da imensa cidade acordando.

Em pouco tempo, chegou ao enorme edifício onde se encontrava seu escritório, no oitavo andar. Estacionou em sua vaga privativa, dirigindo-se para a recepção, onde Silvia já o esperava com as correspondências do dia e a lotada agenda de compromissos.

– Sr. Oliveira, os consultores estarão chegando dentro de uma hora.

Os documentos já estão separados e organizados sobre sua mesa.

– Obrigado Srta. Silvia. Estarei em alguns minutos em minha sala.

Dirigiu-se para os elevadores com a pressa habitual. Precisava antes da reunião, verificar como estavam as vendas em seu setor.

– Bom dia Sr. Oliveira. Irá para o oitavo andar?

– Bom dia Carlos. Antes eu preciso passar na sala de Adalberto.

Sabe se ele já chegou?

– O Sr. Adalberto acabou de subir, não faz nem cinco minutos.

– Ótimo, deixe-me então no nono andar.

O longo corredor seguia a frente, com o piso acarpetado em tonalidades verdes, quadros da geração de presidentes e diretores da empresa estavam enfileirados nas paredes enquanto vasos discretos ornavam o ambiente. Rick se dirigiu para a última sala, onde seu amigo e também diretor financeiro preparava-se para o dia que começava.

– Bom dia Rick, eu vejo que dormiu mal por mais esta noite, tem certeza que não deseja que eu o substitua na reunião com os consultores?

– Obrigado, Adalberto, mas estou bem, é apenas mais uma daquelas terríveis noites com os mesmos sonhos, mas hoje mesmo estarei consultando um psicólogo, estes sonhos me atormentam já há semanas.

– Bem sei o que você esta passando, Rick. Há alguns anos estava com uma insônia terrível também, e graças a minha querida Adelaide com suas massagens, eu consegui voltar a ter uma vida normal. Bem, acho que é isso que você esta precisando, de umas boas sessões de massagens. Você precisa encontrar alguém para cuidar de você.

– Bem, se te alegra ouvir isso, meu caro amigo, hoje eu consegui encontrar uma forma de almoçar com a Jéssica. Há semanas ela vem cobrando este nosso encontro. Já marcamos por diversas vezes, que por algum motivo sempre acabei cancelando. E hoje, apenas com essa reunião agendada e com a folga a tarde para ir ao médico, consegui encaixa-la em minha agenda.

– Isso é muito bom Rick. Você esta mesmo precisando conhecer pessoas novas e relaxar um pouco. Quem sabe você não aproveita e aceita aquelas férias que há tanto tempo está esperando por você. Tente esquecer um pouco do trabalho. Desde que você entrou na empresa, que não o vejo descansar nem mesmo um final de semana. Você tem trabalhado muito.

– Você está certo Adalberto, quem sabe, quem sabe. Mas falando em trabalho, eu precisava rever aquelas planilhas de vendas deste mês e do mês anterior. Creio que deixei passar alguns detalhes que não consegui ainda compreender e preciso ter certeza destes detalhes, antes da reunião com os consultores.

– Elas estão todas corretas, Rick. Mas se isso for ajudar você relaxar um pouco, elas estão bem aqui comigo, fique o tempo que for preciso com elas, passarei em sua sala antes do almoço para pegar de volta.

– Obrigado Adalberto. Deixe-me descer até minha sala, tenho ainda que preparar os documentos para a transferência da filial e depois enfrentar os consultores.

Em seu escritório, Rick estava concentrado nas planilhas, tentando entender os cálculos feitos para se chegar ao lucro final, que a primeira vista, parecia muito maior que as vendas reais. Aquele montante seria destinado à criação de uma nova filial da empresa e a reunião que tinha a seguir, serviria com exatidão para acertar os últimos detalhes com os consultores, contratados para fazer a pesquisa de mercado necessária à implantação da nova administração da empresa que estavam comprando.

Os valores finais eram o necessário para a criação da filial, mas não coincidia com as vendas reais, e isso intrigava Rick, que tentava achar o fio perdido na meada de contas, para encontrar a natureza do valor que estava nos documentos.

O tempo transcorria numa velocidade estonteante, enquanto Rick se perdia em meio às contas, quando o interfone tocou, despertando Rick para o mundo.

– Sr. Oliveira, telefonema na linha um de Jéssica, ela quer confirmar um almoço com o Senhor.

– Obrigado Silvia. Pode transferir, estou atendendo aqui.

– Alô, Jéssica?

– Oi meu querido Rick, estava com saudades. Estou toda manhã esperando para te ver, mas parece-me que você está bem ocupado hoje.

– Sim, estou bem ocupado Jéssica. Tenho uma reunião sobre a abertura daquela filial que estava lhe falando outro dia. Hoje é o dia em que decidiremos tudo.

– Bem, não quero lhe atrapalhar, nem tomar seu tempo. Liguei mais para saber se o nosso almoço esta ainda de pé. Vou entender caso você queira adiar mais uma vez nosso primeiro encontro.

– De forma nenhuma Jéssica. Vou sim ao almoço. Hoje só tenho mesmo esta reunião de grande importância na empresa. Tirei a tarde livre para cumprir alguns compromissos pessoais, o que inclui conhecer você. Sabe o quanto isso é importante.

– Fico muito feliz em ouvir isso, meu querido. Irei me arrumar então para nosso almoço. Espero que tudo de certo para você na reunião, para termos motivos para uma grande comemoração.

– É o que espero também, Jéssica. Bem, então nos vemos no restaurante, no horário combinado.

– Combinado Rick. Estarei lá te esperando. Beijos.

– Até mais tarde.

 

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Jéssica acabara de acordar, o sono ainda estava presente em seu rosto, mas a euforia de um novo dia começando para a jovem de vinte e sete anos era enorme. O dia em que iria conhecer Rick havia chegado. Rick era um rapaz que encontrara pela internet, mas ainda não haviam se visto.

Levantou, e foi ao toalete se preparar para seu longo e esperado dia.

– Mamãe, nós vamos almoçar juntas hoje?

Palôma, sua filha de cinco anos, estava parada na porta com seus olhos ainda sonolentos, acordando em seu sono infantil.

Jéssica correu em direção a filha, pegando-a no colo e dando-lhe um enorme beijo.

– Não minha filhota, hoje a sua tia Marly vem cuidar de você. Mamãe tem um encontro no almoço. Mas à tarde nós iremos escolher seu presente de aniversário, como combinamos ontem.

– Vamos comprar aquela uma boneca igual a da Raquel não é mamãe?

– Sim filha. Vamos procurar pela cidade toda até encontrar, e nos divertiremos muito. Agora venha tomar seu café da manhã. Logo sua tia estará chegando e temos muito que fazer ainda.

Enquanto Palôma tomava seu café da manhã, Jéssica aproveitou para telefonar para Rick, confirmando o tão esperado almoço.

– Tia Marly.

– Bom dia minha pequena sereia, como dormiu hoje? Veja o que a tia lhe trouxe. Docinhos para o seu café da manhã. Onde esta sua mãe?

– Esta se arrumando no quarto. Nós vamos comprar uma boneca igual da Raquel hoje.

– É mesmo, Palôma. Seu aniversario já esta chegando, e podemos aproveitar que vamos passar a manhã juntas, e sair também escolher um presente para você.

– Que maravilha tia Marly. Hoje vou passear muito então.

– Sim, agora me deixe falar com a sua mãe. Depois combinamos tudo.

Jéssica estava observando as duas conversarem, feliz por ver sua pequena família reunida, seus pais haviam morrido há algum tempo atrás, e sua irmã era a única pessoa que ainda tinha contato freqüente. Jéssica preservava este contato com sua irmã, que lhe ajudara muito durante sua gravidez e a faculdade.

Quando Marly olhou para Jéssica, ela penteava os cabelos, e estava indecisa se usava o vestido ou um conjunto mais social.

– Bom dia Marly. Hoje eu e o Rick vamos nos conhecer, temos um encontro no Saint German, e não sei o que devo usar.

– Você e seus encontros misteriosos, irmãzinha. Bem. Hoje está um dia lindo, acho que deveria usar o vestido, cabelos soltos. Se você quer impressionar é o que deveria usar então.

– Ah, Marly. Você terá de conhecê-lo, o homem perfeito, sempre me tratando bem, acho que desta vez encontrei a pessoa certa para estar ao meu lado. E hoje no almoço, vamos nos conhecer um pouco mais. E ele me disse que adora crianças, e quer encontrar a pessoa certa para formar uma família. Quer aproveitar a estabilidade de seu cargo, para dividir com as pessoas importantes em sua vida.

– Mas mesmo assim, Jéssica. Você ainda não conhece este homem, todo cuidado é pouco. Não deseja que eu e a Palôma estejamos juntas, nos sentaríamos numa mesa afastada, e só ficaríamos ali, para caso você precisasse de algo.

– Não precisa mesmo, Marly. E outra. Acha que a Palôma conseguiria ficar ali, sem querer toda hora ir me contar algo novo que tenha visto. E até mesmo eu, acha que estaria tranqüila com minha filha ali perto, sabe como somos juntas, não consigo ficar sem meu anjo ao meu lado.

– Bem, mesmo assim, leve seu celular, deixe-o ligado o tempo todo, e se precisar de algo, estarei por perto. Vou até as lojas ver o que minha sobrinha quer ganhar em seu aniversário.

– Tudo bem, se eu precisar de alguma coisa entrarei em contato sim. Jéssica agora segurava uma pequena parte de sua coleção de sapatos, indicando a sua irmã, que precisava mais uma vez de sua ajuda para escolher o que melhor combinava.

O restaurante estava cheio aquele horário, mas como Rick havia combinado, a mesa estava reservada. O local escolhido por Rick era discreto e bem arejado. Jéssica acomodou-se e pediu um copo com água. Pegou uma revista que havia comprado numa banca no caminho, e esperou a chegada de Rick.

 

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A reunião fora um sucesso, os consultores estavam ansiosos com o inicio do processo de abertura, ainda mais com as planilhas que mostravam o crescente aumento da empresa. Rick já via as chances de assumir um cargo maior na filial se concretizar, pois a empresa precisaria de um diretor financeiro presente, e ele era o mais cotado para o cargo no momento. A viagem e a promessa de uma nova vida em outra cidade, faziam com que Rick se tranqüilizasse em relação aos seus problemas.

Uma nova cidade, novas pessoas, com certeza seria a solução para as suas noites mal dormidas, que ele achava serem devido ao stress que vivia em uma grande capital.

Nesses pensamentos, se lembrou de Jéssica, seria muito bom ter alguém por perto nessa mudança, alguém que cuidasse dele. Como

Adalberto havia dito, seria bom ter alguém para cuidar e proporcionar bons momentos.

– Sr. Oliveira, chamada na linha dois para o Senhor. É o Dr. Marques confirmando a sua consulta hoje.

– Obrigado Silvia, deixe que eu mesmo falo com ele.

– Dr. Marques, sim. Estarei sim indo ao consultório às quinze horas hoje. Não estou mais suportando estes sonhos. Então está confirmado.

Sim, tentarei chegar um pouco antes da consulta. Tenha também uma boa tarde Doutor. Mais tarde nos veremos.

Rick desligou o telefone e começou sua tentativa para entender as planilhas que estavam a sua frente. Mesmo com o sucesso da reunião, Rick ainda não entendia o que estava acontecendo com as vendas. Ele sabia que havia algo de errado, mas não conseguia encontrar uma linha que o levasse até o problema.

As vendas não batiam de forma alguma com o resultado final. O valor era muito superior ao esperado. E mesmo que os valores não tivessem essa diferença, isso não iria interferir na reunião, pois as vendas tiveram um aumento real. Mas não na forma como estava sendo mostrado. Rick não entendia o que poderia ter acontecido. O porquê da divergência de valores.

– Meu amigo. Ainda está perdido nessas planilhas? Esqueça isso. Fiquei sabendo sobre a reunião, você foi um gênio rapaz, e com toda certeza será o indicado para o cargo de diretor financeiro na nova filial.

-Adalberto, nem o vi entrar. Mas sente-se. Sim, estou ainda tentando entender o que acontece com estas contas. As vendas aumentaram estes dois últimos meses, e foram estas vendas que abriram as portas para a nova filial, mesmo assim, os valores ainda não batem. O acúmulo de vendas é bem maior que as vendas reais, e não consigo achar a formula usada para se chegar a este valor.

– Você não deveria se preocupar com isso, Rick. Estas planilhas sempre são complicadas de entender. Deixe isso para os contadores da empresa, afinal, eles são pagos para cuidar destes problemas. E falando em problemas, acho que se você não deixar isto de lado, e correr para o seu almoço com a Jéssica, terá um grande problema com ela, antes mesmo de conhecê-la.

– Você sempre certo, Adalberto. Acho que é isso mesmo. Pegue aqui as planilhas, elas foram de muita serventia na reunião. E quanto a minha duvida em relação aos valores, vou tentar deixar isto de lado. No momento tenho mesmo algo mais importante a fazer.

– Isso mesmo Rick. Vá para seu almoço, deixe que eu vá entregar estas planilhas ao setor responsável. E não se preocupe você fez um bom trabalho na reunião. O Sr. Martins ficará muito orgulhoso de sua atuação.

– É o que irei fazer Adalberto. Mais tarde nos falamos de novo. Eu lhe ligarei contando as novidades.

– Sim Rick, mais tarde eu estarei esperando sua ligação. E tenha um bom almoço, onde disse que será mesmo?

– No Saint German, aquele que nós sempre íamos, nas sextas-feiras depois de acabar o expediente.

– Uma bela escolha para impressionar uma garota, Rick. Bem, Tenha um bom almoço então.

Rick saiu de sua sala, dirigindo-se para os elevadores. Chegou à recepção do edifício, o relógio marcava onze horas e cinqüenta e cinco minutos, Rick ainda tinha um bom tempo para chegar ao Saint German, mesmo com o trânsito do horário.

O dia tinha se firmado, as nuvens estavam fazendo sua parte, deixando somente a luz do sol penetrar e iluminar as ruas. O calor não estava tão excessivo, e Rick sentia o vento pela janela do carro, enquanto se dirigia para o restaurante.

Ouvia uma velha musica no rádio, decidira não colocar nas estações de noticias, como estava habituado, queria estar relaxado e descontraído quando se encontrasse com Jéssica. Este seria um encontro muito importante. Quando Rick a encontrou num Chat da internet, não pensava que uma pessoa pudesse se tornar tão essencial como ela havia se tornado, mesmo sem conhecê-la. Ele desejava que ela fosse tudo o que lhe havia dito nos e-mails, e se assim fosse, queria manter uma melhor relação e quem sabe convida-la para ir com ele morar com ele na cidade onde seria inaugurada a filial da empresa, começar uma vida nova, e o mais importante, juntos. Jéssica acabara de terminar a faculdade de veterinária, e estava agora se dedicando um pouco a sua filha de cinco anos. Rick não via problemas em ter um relacionamento com uma mulher que já tivesse filhos, pelo contrario, ele gostava muito de contato com crianças, e não via a hora de conhecer a filha de Jéssica.

Jéssica olhou por mais uma vez para o relógio, que marcava doze horas e trinta minutos. Rick estava atrasado, e ela se imaginava em mais um encontro que não havia dado certo. Ela não entendia porque isso sempre acontecia, mas desta vez tinha sido diferente, Rick escolhera o restaurante, havia reservado uma mesa, alguma coisa deveria ter acontecido. Ela pensou em ligar para a empresa onde ele trabalhava, mas resolveu não atrapalhar, esperaria mais um pouco, Quem sabe a reunião houvesse atrasado um pouco, e Rick estaria chegando a qualquer momento. Olhava pela janela, a mesa reservada tinha uma boa vista para uma pequena praça, onde alguns senhores e senhoras conversavam em um banco, algumas crianças brincavam sobre o jardim e jovens se entretinham em um jogo. Uma leve e fresca brisa entrava, acariciando seu delicado rosto.

Doze horas e quarenta e cinco minutos, nada ainda de Rick. Um vento um pouco mais forte levantava as folhas das arvores do chão, como num balé sincronizado, e com esta vista, Jéssica se levantou em direção a porta do restaurante, pegando sua bolsa e indo até um táxi, que a levaria de volta a sua casa.

 

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Em uma distração em seus pensamentos, Rick pegou uma entrada errada, e acabara preso em um longo congestionamento, chegaria, com sorte, uma hora atrasado ao encontro. Tentou ligar para Jéssica, mas seu telefone estava fora de área, teria que comprar um telefone novo, ou ao menos levar o seu para uma assistência técnica, já tinha perdido diversos telefonemas da empresa por este mesmo motivo.

Quando conseguiu sair do amontoado de carros que estavam a sua frente, já eram doze horas e trinta minutos, levaria mais vinte minutos para chegar até o restaurante, e desejava que Jéssica tivesse a paciência de esperar.

Um ótimo primeiro encontro, ele pensou, enquanto avançava por entre as ruas, tentando diminuir o máximo possível o tempo que levaria para chegarem seu destino.

 

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Não passou nem um segundo, entre a visão da caminhonete blazer perdendo o controle no cruzamento, e o impacto com o táxi onde Jéssica estava. O pequeno carro foi atirado nos postes laterais de iluminação, enquanto que pelo mesmo impacto, a blazer levantou um pequeno vôo, se chocando com outros carros que estavam vindo na pista contraria. Jéssica apenas teve um flash, de toda sua manhã, de sua pequena Palôma, de Rick e de suas conversas, e nada mais.

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